Devoção a Santo Antonio

Igreja matriz, Praça Padre Calixto e boulevard. (Bia Moraga)

Tradição de mais de 200 anos: Santo Antonio velho” (1798) / “Santo Antonio novo” (1928)

Três igrejas se fizeram presentes desde o início da história de Iperó: a igreja Católica (que ainda concentra a maior parte da população), a igreja Congregação Cristã no Brasil (conduzida pela família de Antonio Salmasi) e a igreja Presbiteriana (conduzida pela família de Vital da Silva Rosa). Do material existente em nosso arquivo, a totalidade se refere à devoção a Santo Antonio / Santa Rita de Cássia e às atividades católicas. Mas o objetivo é também resgatar a história das outras religiões.

A devoção a Santa Rita de Cássia vem desde o surgimento de “Santo Antonio novo”, atual perímetro urbano de Iperó. Conduzida na época pela família de Rita Maria Motta de Almeida, a devoção à santa permanece até hoje, representando mais de 85 anos de história. Alguns, inclusive, defendem a ideia de que a cidade possui dois padroeiros: Santo Antonio e Santa Rita de Cássia.

Já a devoção a Santo Antonio é bem mais antiga. Antonio Ribeiro Garcia fundou a igreja de Santo Antonio, em Sorocaba, por volta de 1690. Mais de cem anos se passaram, até que em 1798, pouco antes de morrer, o coronel Paulino Aires de Aguirre “deixou em testamento à capela uma sesmaria de uma légua em quadra em Bacaetava. No tempo de Dom Lúcio Antunes de Sousa, Bispo de Botucatu, o sítio foi vendido.” (ALMEIDA, 2002).

Dentro da imensa área dessa sesmaria, a margem esquerda do rio Sorocaba continuou sendo conhecida por Bacaetava. A margem direita passou a ser conhecida por Santo Antonio, em homenagem ao padroeiro da igreja à qual pertencia. O “bairro de Santo Antonio” (“Santo Antonio velho”, como é conhecido atualmente) aparece pela primeira vez durante o recenseamento realizado em Porto Feliz realizado em 1815. Quando construiu o leito ferroviário original, a Estrada de Ferro Sorocabana atravessou grande parte dessa sesmaria deixada por Paulino Aires de Aguirre à capela. Os trilhos chegavam até Bacaetava (estação inaugurada em 1880), atravessavam o rio Sorocaba e se dirigiam a Boituva (estação inaugurada em 1882) passando pelo “bairro de Santo Antonio”. O lugarejo chegou a ter uma pequena estação com o mesmo nome.

Com a retificação do traçado da ferrovia e a transferência da estação para a margem esquerda do rio Sorocaba, a devoção cresceu junto com o desenvolvimento da nova vila – depois distrito – também chamada de Santo Antonio. Durante muitos anos, nas procissões de Santo Antonio, os trens paravam enquanto os devotos atravessavam a estação e o pátio de manobras levando os andores. Consta que inclusive o padre redentorista Vítor Coelho esteve no povoado em 1934. Segundo “O Jornal de Iperó”, o padre “celebrou diversas missas e conduziu o cruzeiro que ainda existe [1958] no cemitério local. Encerrando a sua entrevista, o Padre Vítor, abençoando a todos, pediu que o sr. José Soares Olímpio fosse o portador de lembranças ao povo de Iperó, para ele: Santo Antonio antigo.”

O povoado cresceu bastante durante a década de 1930 e foi preciso construir uma capela onde pudessem realizar as atividades da igreja e acolher mais pessoas. Isso foi feito no início da década de 1940. A capela foi construída num terreno doado por Belarmina Maria Prestes (viúva de Samuel Domingues), Paulo Antunes Moreira e Adolphina Maria Ramos, cuja escritura pública de doação foi oficializada em 4 de dezembro de 1950. Na escritura consta que “esta doação foi feita verbalmente em mil novecentos e quarenta.” Consta também que “tanto o terreno doado por Paulo Antunes Moreira e sua mulher, e o terreno doado por Belarmina Maria Prestes, são ligados formando uma só propriedade quadrada com a área de mil oitocentos e cinco metros quadrados e quarenta e quatro centímetros quadrados.”

Joaquim Pedroso Ramos, na primeira edição do “O Jornal de Iperó” (1958), escreveu: “Lembro-me da satisfação na elevação a distrito de paz e do aborrecimento na mesma época da mudança de vosso nome, que o Serviço Geográfico do Estado assim o quis, substituindo por Iperó. Revigorado na fé de vossos filhos e em nosso padroeiro, calastes e aceitastes a mudança e como revide foi construída a igreja matriz em pleno planalto do distrito e o nosso padroeiro, o glorioso Santo Antonio, em seu pedestal triunfante, foi erguido e por todo o recanto de nossa vila ouviu-se o badalar de vossos sinos de fé ao vosso nome e à vossa santidade.”

Grandiosas festas, leilões, quermesses e procissões. Uma história que se repete desde 1943, quando foi realizada a primeira ‘Festa de Santo Antonio’. Em 23 de junho 1967, pouco mais de dois anos após Iperó se tornar município, a capela de Santo Antonio foi elevada à categoria de matriz e sede de paróquia, tendo como primeiro pároco o padre Antonio “Calixto” Martins. Em 1999, a antiga igreja foi desmanchada para a conclusão das obras da nova matriz, que foi inaugurada em janeiro de 2000. O atual pároco é o padre Isac Isaías Valle.

A seguir, registros da história religiosa através dos eventos realizados pela comunidade católica desde os anos 1940.