Abandono, descaso e vandalismo destruíram décadas de história

Abandono
Aspecto do local em outubro de 2013, durante a retirada dos vagões abandonados. (Hugo Augusto Rodrigues)

A área do antigo Depósito/Oficina foi utilizada pela ALL até 2007. Depois disso o local ficou abandonado. O prédio foi destruído devido ao descaso, à ação do tempo e ao vandalismo. O entorno também abrigou dezenas de vagões abandonados, que foram retirados juntamente com os vagões que estavam no pátio da estação.

No fim de setembro de 2013, durante a retirada dos vagões, dois guardas civis descobriram uma central para preparo de drogas na área do antigo Depósito/Oficina. Eles desmontaram toda a estrutura e encaminharam o material à delegacia de Iperó.

De acordo com as informações da Guarda Civil Municipal de Iperó (GCM), o aparato era uma espécie de escritório e laboratório do tráfico, onde a droga era quebrada, pesada e embalada para o comércio. Os guardas também encontraram duas pessoas morando nos vagões abandonados. Na mesma área foi localizada uma ossada humana em junho de 2011.

A situação desse prédio histórico de Iperó é um exemplo do que aconteceu com a maior parte do patrimônio ferroviário nas cidades por todo o Brasil. Com a decadência das empresas ferroviárias e as privatizações, as concessionárias ficaram apenas com o leito da ferrovia (em péssimo estado de conservação também) e não tiveram interesse em ocupar os imóveis ao redor.

Construído pela Estrada de Ferro Sorocabana (EFS) durante a década de 1930, o prédio de Iperó foi inaugurado em 1938 e funcionou como Depósito de locomotivas durante vários anos. A revista ‘Nossa Estrada’ chegou a publicar uma extensa reportagem no início de 1939, onde mostrava a importância do complexo que engloba a área do atual pátio, estação e Depósito/Oficina.

O Depósito local para locomotivas possui 1 chefe, 2 ajudantes e 210 empregados, inclusive maquinistas, foguistas, graxeiros, limpadores, lenheiros e pessoal mecânico, além do pessoal do posto de truqueiros. Como se vê, SANTO ANTONIO é importante setor de trabalho. As instalações da Estrada foram feitas atendendo ao enorme movimento da estação, que serve, como se sabe, de distribuidora, em larga escala, tanto de mercadorias quanto de passageiros. Pode-se afirmar que, atualmente, SANTO ANTONIO é uma das dinâmicas estações da Sorocabana.

Ao abandonar o imóvel, a ALL não tomou providências para inibir as ações dos vândalos que furtaram o telhado, a estrutura de sustentação do telhado e diversos equipamentos que se encontravam no interior do prédio. Ações criminosas cometidas por gente que não considera importante a preservação do patrimônio público ou privado.

E a própria ALL se envolveu em situação complicada em 2007, quando uma denúncia anônima levou policiais ferroviários federais a descobrir o corte ilegal de vagões sendo realizado na área do antigo Depósito/Oficina, sem qualquer tipo de autorização, conforme divulgado à época pela TV TEM.