Abandono, descaso, vandalismo e criminalidade

Aspecto da estação - 2006. (Hugo Augusto Rodrigues)

A estação de Iperó e a decadência da ferrovia

“A estação era a praça de encontro do pessoal. Inclusive, o namoro da mocidade era lá. E na beira do escadão ficava cheio de gente até a hora de o trem ir embora. Quando o trem partia, parecia aquele navio de guerra: todo mundo acenando.”

“A imensa procissão de Santo Antonio, quando atravessava a estação e parava o movimento dos trens, era uma das coisas mais espetaculares que existia aqui em Iperó.”

Depoimentos que ajudam a dar vida à estação de Iperó novamente. É parte da história registrada na memória dos iperoenses que trabalharam na ferrovia e contribuíram para o desenvolvimento da cidade. A estação foi desativada após 73 anos de uso. Em 15 de março de 2001 a última composição de passageiros passou por Iperó. O “Trem Bandeirante” partiu de Sorocaba e seguiu viagem até Apiaí, encerrando a história do transporte de passageiros que existia há mais de 120 anos através das linhas da antiga Estrada de Ferro Sorocabana (EFS).

Com o fim dos trens de passageiros, o prédio se transformou num ícone da decadência da ferrovia, intensificada após a privatização ocorrida no fim dos anos 1990. De maneira geral, as concessionárias ficaram apenas com o leito (atualmente em péssimo estado de conservação também) e não tiveram interesse em ocupar os imóveis ao redor. Os remanescentes ferroviários se transformaram num cenário de abandono e destruição. O pátio, que também era uma área bastante movimentada, deu lugar a um dos maiores cemitérios de vagões inutilizados do Brasil. Devido ao descaso das concessionárias (Ferroban / ALL), a estação e o pátio ficaram abandonados por cerca de 15 anos, período em que foram castigados pelo tempo e vandalismo.

Vândalos quebraram vidros, picharam paredes, arrombaram fechaduras, quebraram portas e forros, destruíram os mecanismos elétricos da cabine (sistema de mudanças das linhas no pátio), furtaram equipamentos e móveis que estavam no prédio. Ações criminosas cometidas por pessoas que não consideram importante a preservação do patrimônio.

Essa situação colaborou para o aumento da criminalidade no entorno (comprovada através de inúmeras ocorrências registradas pela Polícia Militar, Polícia Civil e Guarda Civil Municipal de Iperó) e a proliferação de animais nocivos (escorpiões, aranhas, cobras, ratos e caramujos). Parte dos vagões também se transformou em criadouros para larvas do mosquito da dengue e houve o prejuízo ao meio ambiente através do vazamento de resíduos químicos de diversos trens.