“Ary Araújo”

Ary Araújo
Ary Araújo, barbeiro e cantor.

Augusto Daniel Pavon

Ary Araújo, grande figura! Mario Araujo, Jacó, Ary, Miltinho, Irene (havia também mais dois meninos que não me lembro o nome). Uma figura da cidade de Iperó. Faz parte importante da história de nossa cidade. Alguns anos mais velho que eu, pessoa muito querida. No esporte, nunca foi um craque, mas sempre jogou futebol; centro avante tipo rompedor, eterno titular do time de aspirantes. Era rompedor, porque quando abaixava a cabeça e partia em direção à área adversária, carregando a bola, literalmente rompia, pois era muito forte. Tinha formação física para “beque central”, mas optou por ser centroavante. Fazia seus gols.

Ainda no esporte, foi um grande boxeador. Grande vencedor. Em frente ao portão principal do Gaspar, do outro lado da rua, era um grande terreno de terra batida, onde se instalavam as “touradas”, sobre as quais já falei alguma coisa, incluindo sobre os toureiros. Ali, embora houvesse um outro local, também ficavam os circos. Desse lado da rua Santo Antonio, um pouco para baixo, era a casa que foi do sr. Virgílio (um dos grandes diretores do Gaspar) e que depois foi habitada durante muito tempo pela professora Henory de Campos Góes (minha professora no Gaspar, pessoa maravilhosa) e pelo seu marido, José Homem de Góes (Zé Borba), com participação ativa na emancipação de Iperó.

Bem, o Zé Borba, nesse terreno que citei anteriormente, montou uma arena para a pratica do boxe. Ali, o Ary brilhou. Boxeava muito bem. Ágil, tinha noções de técnica, forte, foi vencendo a todos os adversários que surgiram, entre eles o próprio Zé Borba e o “Carioca”, uma figura conhecida em Iperó, falante, valente, mas que também caiu.

Figura carismática, querida, amiga, esteve presente em tudo que os jovens em Iperó faziam. Brilhou na música, quando uniformizado, desfilava pelas ruas de Iperó com a melhor banda musical que já existiu, a Santa Cecília. Seu instrumento eram os “pratos”. Foi aluno do Agenor barbeiro, tornou-se um ótimo barbeiro e abriu uma barbearia mais ou menos em frente o bar do Gilberto, na Santo Antonio, do outro lado da rua. Eu mesmo deixei de cortar meus cabelos no Agenor e passei a fazê-lo na barbearia do Ary.

Deixei por último uma de suas principais atividades, a de cantor. Esteve presente em todos os grandes bailes de Iperó – e eles eram maravilhosos – cantando tudo, mas principalmente boleros maravilhosos (La Barca, Relógio e outros), embalando a dança coladinha de jovens apaixonados no maravilhoso salão do Sorocabana, que incluía “Cuba libre”, penumbra (meio escurinho) e, às vezes, lembrando o bolero da Elis, até a ponta de um doloroso “band-aid” no calcanhar. Tive meus momentos de cantor num antigo programa de calouro que existia na cidade e o Ary me orientou na escolha da música, um “baião” muito bonito que sei até hoje. Eclético, não é mesmo? Mais uma pessoa maravilhosa com a qual tivemos a honra de conviver. Acho até que ser iperoense é sinônimo de ser gente boa.