“Caminho de tantos pés”

Floresta Nacional de Ipanema. (Osvaldo Cristo - Acervo Flona de Ipanema)

por Isabel Pakes
Homenagem à Fazenda Ipanema

Leva-me o trem da saudade à borda do céu azul,
Remanseando sereno no espelho azul do lago,
Na casa de minha avó, hospedeira de minhas asas,
Onde de quando em quando me embalava no teu seio,
Em brancas vestes levada na procissão de São João,
Seguindo os passos da fé: meu pai, minha mãe, meus irmãos.

Chão verde que percorri e contemplei das alturas,
Meus pés trilhando caminhos, caminho de tantos pés…
Repouso para meu olhos, meu coração e minha alma,
Em leitos de água e de pedra, de relva fresca e de palha.
Velavam-me as construções de antigas formas e raras.

Histórias da tua história, relíquias da minha memória,
Enluaradas no lago em tuas místicas noites,
Pairadas sobre o teu morro cuja encosta venci
Na juventude do tempo do tempo que já vivi.
Histórias da minha história, verde chão onde nasci.