“Copa do Mundo de 1958”

Copa do Mundo de 1958
Seleção Brasileira campeã em 1958. (Imagem da internet - Youtube)

Augusto Daniel Pavon

1952 moramos em Sorocaba, 1953 voltamos a Iperó e fomos morar na casa da esquina da Porfírio com a que sobe ao posto de gasolina. João Domingues? Ali onde era o açougue do Flamínio, antes era uma casa do meu bisavô, Emílio Guazelli. Morou tio Raul, morou tio Álvaro e moramos nós no nosso retorno, junto com o tio Álvaro. Quatro em um quarto divididos por um lençol (meu avô, avó, pai, mãe e eu). O outro quarto era do tio Álvaro, tia Dirce Danezi Guazelli, filha do seu Danezi, que morava na Silvano, bem no meio entre o Gaguinho e o Germano (essa foi pra, no bom sentido, ‘of course’, ‘fuder coá cabeça docêis’), só que ainda não havia a casa do Germano e era só mato (aí a coisa piorou!).

No quarto do tio Álvaro moravam o Emílio e o Luizinho, filhos do tio Álvaro. Ficamos ali, porque na nossa casa, 85 da Porfírio, estava o Lauro Paula Leite, que alugava a casa do meu avô, Augusto Garcia. Na rua São Bento, lá embaixo, vizinho do tio Raul, havia duas casas que pertenciam à minha tia Victória (Guazelli Bertolaccini). Meu avô alugou uma delas e pra lá mudamos em 1954 (ano do suicídio do Getúlio). A nossa venda continuou na esquina, onde depois o Flamínio montou o açougue. Já disse que o local pertencia a meu bisavô. Meu avô, Augusto Garcia, passou ele mesmo, com ajuda a princípio do meu tio Lázaro Garcia, e depois do Zé Pequeno (aquele do carrinho de pipoca), a construir uma casa na Duque de Caxias (hoje Silvano), que fica exatamente no terreno acima da nossa casa da Porfírio. Pra lá mudamos em 1955. Lá ficamos uns dois anos e voltamos pra Porfírio. Meu avô comprou de minha tia Victória a casa em que moramos, a vizinha e a do fundo que fazia frente com a Porfírio.

Em 1958, eu com 10 anos, recebemos em casa a visita do sr. Celso Galvão e dona Amélia. Ele muito nosso amigo, ferroviário, que havia se afastado de Iperó e no local pra que fora transferido, o fora como chefe de estação. Na época coisa de uma importância extrema. Eram muito amigos de minha família. Lembro-me que ele e meu avô e o piá aqui, é claro, fomos andar pelas ruas ainda de terra e pedregulho, todas, e muito lindas, de uma poeira que jamais veremos igual. A data era um pouco, e só um “pouco importante”. Festa maravilhosa de Santo Antonio e Copa do Mundo de 1958. Precisa mais?

Saímos nós três de casa, na 85, fomos pela calçada da direita (no lado das lindas casa da Sorocabana, haviam as guias mas não o calçamento das calçadas. Redundância?). Não digo isso como crítica. Jamais. Eram lindas, eu as amava. Fomos até a esquina com a Santo Antonio. Ali na esquina encontramos o seu Pixe. Já falei sobre essa figura importantíssima da cidade. Subimos a Santo Antonio, eles proseando e eu ouvindo. Pixe afirmava com convicção que se o Uruguai de Don Obdulio Varela chegasse a enfrentar a nossa seleção, esta tremeria de medo como o fez no Maracanã em 1950. Obdulio Varela foi um volante de contenção (famoso centerarfo – digo, center half – o meio da metade), que segundo o falecido Pixe, “no grito” fez tremer toda a maravilhosa esquadra brasileira, do mestre Ziza, que goleou a todos até perder para o Uruguai naquela tarde fatídica, inauguração do Maraca, última partida.

Eu nos meus 10 anos, ainda me lembrando do Zé Galo, que havia feito um gol contra a França, enquanto descia a Porfírio para levar um recado de minha avó Alice para a tia Zenaide, esposa de tio Raul, mãe da Ana e da Rosa, que moravam vizinhos da dona Elisa, dona de uma loja, esposa do seu Killian, ferroviário, pai do René, também ferroviário. E aquele grito de Fiori Gigliotti, o maior locutor esportivo do Brasil, da rádio Bandeirantes, pôs em polvorosa a pequena Iperó, narrando o gol do Zé Galo, nos 5 a 2 do Brasil sobre a França, o time do artilheiro da Copa de 58, Just Fontaine.

Fomos até o Cordeiro (não vou ficar explicando tudo), descemos até a esquina do clube (Esplanada – do qual meu pai foi sócio fundador e eu fui sócio remido. Fui, porque terminou em pizza). Ali o sr. Jõao Marques Penteado, pai do Bisteca (grande Bisteca), hoje nome da própria rua, emprestou o terreno da esquina (que hoje “num sei” mais o que é) pro leilão de gado. Eu amava tudo isso e acho que amo inté agora. O Pixe gostava de fazer esses comentários que enchiam o saco, mesmo de um piá (dos meus 8 anos em Curitiba) como eu. O sr. Calil, vizinho nosso por uma eternidade na Porfírio, foi e será o eterno leiloeiro, fez mais esse leilão. Não sei quem levou, pois eu ainda estava “puto” da vida com as previsões do sr. Pixe. Concluo dizendo que nos meus 10 anos sem direito a “tape” que somente surgiria em 62, tive um dos momentos mais felizes da minha vida, quando a seleção brasileira de PELÉ e GARRINCHA foi, pela primeira vez, CAMPEÃ DO MUNDO. Como eu nos meus 10 anos gostaria de ter o sr. Pixe ao meu lado…