“Em Iperó vivi alguns dos momentos mais felizes da minha vida”

Momentos de lazer no rio Sorocaba. (Arquivo Chislaine de Campos)

Zezinho de Lima

É um prazer falar um pouco da nossa Iperó, onde vivi alguns dos momentos mais felizes da minha vida. Nasci em 25 de março de 1947. José Rodrigues de Lima, mais conhecido como Zezinho de Lima. Meu pai era o músico Avelino Rodrigues de Lima, que tocava na banda e nos bailes do Sorocabana. Tenho dois irmãos já falecidos (Luiz Rodrigues de Lima – o “Bagrinho” e Vicente Rodrigues de Lima – o “Vicentão” ou “Pai”). Minha irmã está viva e sempre presente, a Neuza Rodrigues de Lima, conhecida como “Neuzinha”.

Entre os meus amigos de infância, que guardo na lembrança, com os quais mais convivi, estão o Zé Augusto, o Augusto Daniel, o Dirceu Paulino, o Kiko da loja, o Toninho Arruda, o Fernando Arruda, o Orlandinho da farmácia, a Chislaine (filha da Ceinha e do Dimas), o Bartolo e muitos outros. Lembro-me das brincadeiras no barrancão e depois a gente ia nadar na córrego da Vila do Depósito. Nossa diversão também era nadar no rio Sorocaba e jogar futebol nos campinhos atrás do cinema.

Joguei futebol e o nosso técnico era o João Porto, que depois passou para o Osvaldo. Nosso time era formado por Narciso, Betão, Augusto Daniel, Bartolo, Dirceu Paulino, Zé “chupa dedo”, Orlandão e outros que não me lembro agora. Eu curtia muito essa época. Nos jogos do Sorocabana a gente ia ao campo pra assistir o time que era uns dos melhores da região.

Ninguém ficava doente. Nossos médicos eram o Dito “curador”, dona Benta e dona Maria “do balanço”. Tinha também a farmácia do “seu” Orlando, que vendia os medicamentos para o povo, tudo fiado na caderneta, assim como faziam nos bares, vendas e padarias. Bares mais frequentados eram os do Bibe, Felício e Pedroso.

A nossa ansiedade maior era para chegar o mês de junho, por causa da Festa de Santo Antonio. Vinha gente de toda a região. Era uma das maiores festividades, com muitas barracas, correio elegante, etc.

Aprendi a tocar violão, um pouco, com um grade amigo meu, o Zé Augusto. Ele gostava muito de música e eu também. Quando não tínhamos violão, emprestávamos da Gracinha Berton.

E o cinema? Não tinha muitas cadeiras, então o meu pai levava de casa. Os filmes eram ótimos, como Durango Kid, Roy Rogers, Os Falcões, etc. Em frente ao cinema tinha uma caixa d’água e cano. Não tem uma criança dessa época que não tenha escorregado nesse cano. Era o maior barato. Lembro também dos barbeiros Agenor e Ary Araújo.

E a maior inauguração em Iperó até então? A loja do Ditinho (Paula Leite) com dois andares, que foi a grande novidade. O povo inteiro estava presente com muita alegria.

Bailinhos eram o que mais curtíamos no clube Sorocabana. Levávamos a vitrola portátil, à pilha, que se chamava “Sonata”. Era muito gostoso, não tinha briga e nem discussão: só alegria. Eu morava no bairro da Minhoca, hoje conhecido como rua dos Moreiras.

A estação de trem tinha um movimento muito grande. No escadão a gente se reunia e fazia a maior festa. Também vendi pipoca para a professora Henory de Campos Góes, do Zé Borba, na estação.

Tem muita coisa pra lembrar da minha infância em Iperó. Obrigado por essa oportunidade de falar um pouco da nossa querida cidade.