Famílias de bandeirantes em Iperó

Bandeirantes em Iperó
Bandeirantes. (Imagem da internet - Mundo Estranho)

Rotas bandeirantes

A região de Iperó fazia parte de uma das rotas utilizadas pelos bandeirantes. Havia dois caminhos: o do Tietê e o do Paranapanema. O do Tietê, começando em Araritaguaba, descia o Anhembi (nome primitivo do rio Tietê), o Paraná e subia o Pardo (quando se dirigia a Vacaria). Ou então, seguia-se até o salto do Guairá para subir o Paranapanema (antes da destruição do Guairá).

Os bandeirantes sorocabanos preferiram, muitas vezes, atingir o Tietê pelo rio Sorocaba, que só tinha uma cachoeira e era margeado por algumas matas onde havia madeiras para a construção de canoas. Assim, esses bandeirantes passaram por regiões que atualmente integram os territórios de Sorocaba, Iperó, Porto Feliz, Boituva, Tatuí, Cerquilho, Jumirim e Laranjal Paulista (foz do rio Sorocaba).

 

Famílias em terras iperoenses

Depois das tentativas de povoação em Ipanema (1599) e no Itavuvu (1611), um núcleo de bandeirantes de Parnaíba e São Paulo chegou à “paragem do Sorocaba”, por volta de 1646. Entre esses povoadores estava Braz Esteves Leme, que construiu sua casa em um local a sete léguas para o ocidente, “na margem direita do Sarapuí, junto de sua barra no Sorocaba”. (ALMEIDA, 2002)

Essa área hoje é o bairro Bela Vista em Iperó. Naquela época era a última casa do oeste paulista, a fronteira do sertão. Os únicos que acompanharam Leme foram os familiares e escravos nativos, pois era isso que ele queria. O motivo da mudança dele para aquela área seria a busca por ouro e minas, além da pecuária e a lavoura que seriam desenvolvidas conjuntamente.

Perto da foz do rio Sarapuí ele construiu uma capela com o título de Nossa Senhora da Conceição, por volta de 1678, mesmo sem a autorização da igreja. Pela distância do povoado em relação a Sorocaba, a capela era necessária para facilitar aos mamelucos e carijós a recepção dos sacramentos, além de não deixar o local sem a presença de civilização cristã. Quando Leme faleceu, em 1700, o local se despovoou e os moradores se espalharam. O sítio e a capela ficaram desertos e foram arruinados com o tempo.

Leme é considerado um patriarca em Sorocaba e conhecido também como Braz Teves. É um dos primeiros povoadores sorocabanos, sogro de Pascoal Moreira Cabral (o primeiro) e avô de Pascoal Moreira Cabral (o segundo, fundador de Cuiabá). Pascoal Moreira Cabral (o fundador de Cuiabá) teria nascido nessa propriedade às margens do Sorocaba e Sarapuí, de onde teria acompanhado, desde a infância, o movimento de bandeirantes.

O escritor Aluísio de Almeida descreve essa fase da vida de Cabral: “Esse rio grosso de águas e tranquilo no seu deslizar para o poente, que ele via todas as horas frente ao terreiro da fazenda de Braz Teves, era o mesmo que murmurava um convite sob a ponte na vila sorocabana e duas léguas atrás furava em ribombar solene o granito de Itupararanga. Quantas vezes não lhe passaram sob os olhos canoas vindas da embocadura no Tietê? Imaginar-se pode a alegria com que um dia alcançou em canoa esse grande rio que podia ter conhecido em Itu ou Parnaíba. O infinito ondulado dos campos a seguir sempre para o sudoeste, e onde já passavam as primeiras boiadas, abertos e convidativos, era uma atração para os sonhos do adolescente”. (ALMEIDA, 1939)

Ainda em terras iperoenses, o bandeirante Antonio Antunes Maciel, “depois de 1733, viveu em paz com a sua família perto da atual estação de Iperó (rio abaixo), com muitos escravos índios, até cerca de 1745.” (ALMEIDA, 1969)

E entre os anos 1760, teria residido na mesma região o bandeirante Antonio de Almeida Falcão que “moço, esteve em Cuiabá com seu pai, Fernando Dias Falcão. Voltando com ‘índios’ à terra natal, afazendou-se, penso que nas alturas de Iperó – estação.” (ALMEIDA, 1969)