História de Iperó remonta a mais de 500 anos

Vista aérea de Iperó
Vista aérea de Iperó. (Câmara Municipal de Iperó)

Iperó, a 116 quilômetros de São Paulo e a 25 quilômetros de Sorocaba, tem uma população estimada em 34.913 habitantes (2017). O Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDH-M) atual é de 0,719, considerado alto, e cresceu 39,88% entre 1991 e 2010. O desafio é alcançar – e ultrapassar – a média do Brasil, cujo IDH é de 0,75, conforme divulgado em março de 2017.

A economia do município é baseada na indústria, comércio e agricultura. Nome de um dos rios que limitam a cidade, a versão oficial diz que Iperó significa “águas profundas e revoltas”. Apesar de criado pela lei estadual 8.092, de 28 de fevereiro de 1964, a instalação do município aconteceu somente em 21 de março de 1965. Por isso, até hoje se comemora a emancipação nessa data.

 

Estudos sobre a palavra “Iperó”

Há outras versões: uma diz que a palavra significaria “rio piscoso” e a outra seria a aglutinação das palavras “Ipê + Peroba” (árvores encontradas no sudoeste e centro-sul do Estado de São Paulo, onde o município está localizado). Também há a apresentada pelo geólogo e arqueólogo Luiz Caldas Tibiriçá, um dos maiores especialistas brasileiros em línguas indígenas, que apresenta o significado de Iperó como “casca amarga” (igualmente em alusão à Peroba). Além dessas versões, existem os estudos publicados pela Revista do Instituto Geográfico e Geológico de São Paulo:

1 – IPERÓ (Ipirú) – Há para esta palavra três interpretações possíveis, sendo, porém, a mais provável a seguinte: tubarão. De “y”: aquele que, o que é, que; “pir” ou “pira”: pele, couro, e por extensão da palavra, corpo; “ú”: comer, devorar, dilacerar. Y-pir-ú (iperó): aquele que rasga, que devora, que dilacera o corpo, isto é, o tubarão. I-Peró também pode ser um hibridismo tupi-português. De “i” (o), “Peró” (Pedro). Assim, i -Peró seria “o Pedro”. Os nossos selvagens que viviam em contato com os civilizados, chamavam de Mandú ao Manoel, de Panicú ao Francisco, de Paurú ao Paulo, de Iuão ao João, de Rorenço ao Lourenço e de Peró ao Pedro. (Pedro é de origem aramaica e significa pedra, rocha). João Mendes de Almeida anota: “Iperó, corruptela de i-pi-rõ, no fundo revolto. De “i”, rio, “pi”, centro, “rõ”, revolver”. Joaquim Branco ao tratar do lugar denominado Peruíbe, esclarece: “A etimologia de seu nome vem da abundância de cações (espécie de tubarão) que entra pelo rio que lhe deu o nome”. No Vocabulário na Língua Brasílica, coordenado pelo Dr. Plínio Airosa, vem registrado: “Yperû-tubarão”. Batista de Castro informa: “Ipirú, iporú, iperú, y -pir-ú = o que dilacera, o tubarão”. Todavia, y-peró ainda pode significar: rio seco, rio enxuto, manancial que secou, extinto. De “y” ou “yg” (água, rio), e “peró” (seco, enxuto). (Revista do IGG – 1947).

2 – Iperó: Esta povoação de Santo Antonio, ao ser elevada à sede de distrito de paz, por proposta da Comissão Revisora da Divisão Administrativa e Judiciária, em 1943, passou a se chamar Iperó, por que no Estado do Rio Grande do Sul já havia cidade com o nome de Santo Antonio. Iperó é o nome de um afluente da margem direita do rio Sarapuí. A sua foz fica a quatro quilômetros desta localidade. É possível que este nome indígena provenha de “ipe-ró”, casca amarga. “Ipe”: casca; “ró, rob, róba, iró, iróba”: amargo, amargor. Peroba, nome da excelente madeira de lei, vem de iperoba. De fato, esta madeira tem forte gosto amargo. Se o nome fosse corruptela de “iperu”, teria o significado de “o que dilacera, o tubarão”. Se de “ipiruig (ipiru-ig), seria traduzido por “rio do tubarão”. Pertence ao município de Boituva. (Revista do IGG – 1951).