Ipanema em 1882

Aspecto da fábrica em funcionamento - 1884. (Júlio Durski - Coleção Princesa Isabel)

“Vista da estação, a fábrica apresenta o aspecto de uma vila administrada por uma boa Câmara Municipal, pois há ordem nos armamentos e bela arborização nas praças. As casas de moradia dos empregados, de construção uniforme, alvejam na encosta da montanha, tendo por fundo da paisagem as verdes matas do Araçoiaba. O rio Ipanema, represado, dilata-se em grande lago de margens sinuosas, com manchas aqui e ali, à superfície d’água. A um lado, o casario das oficinas, de fundição, de refino, de máquinas; a vasta galeria avarandada onde residem os operários. Tudo respira um ar de tranquilidade, de ordem e de paz, parecendo mais uma estação termal desabitada, do que um estabelecimento do governo. Durante as horas de trabalho, ninguém se vê desocupado, cruzando as ruas, “sem ter o que fazer”. A atividade está toda concentrada nas oficinas, junto dos fornos, das forjas, das máquinas de trabalhar o ferro. A hora de começar ou largar o trabalho é marcada pelo apito de um vapor que move o martelo de bater o ferro. Tem-se na fábrica todos os recursos de uma cidade: hotel, padaria, açougue, hospital, médico, farmácia, banda de música de operários”. (FREIRE, 1953)