Livro de Visitas

A partir deste LIVRO DE VISITAS, conforme surgem novos relatos sobre Iperó eles são acrescentados aos “Fragmentos de história”. É um espaço idealizado originalmente pelo Augusto Daniel Pavon. Com pequenas crônicas, juntamos várias peças do grande quebra-cabeça que é a história de uma cidade como a nossa.

É o próprio Pavon quem explica: “Para resgatarmos a história não bastam fotos e opiniões de pessoas queridas ou simpáticas. Precisamos garimpar. E ainda é possível: pessoas que viveram, registraram, se empolgaram, têm senso crítico e possam nos dar uma sequência histórica aos fatos. A ideia é simples: com as nossas recordações e histórias, nos utilizando de narrativas, descrições e crônicas, resgatar dados para subsidiar a história informal de Iperó. Com isso, ofereceremos uma visão da dinâmica de vida da época.”

Portanto, fica o convite para que cada um deixe uma mensagem ou escreva as suas histórias vividas em Iperó. São registros muito importantes.

Obrigado e um grande abraço a todos,

Hugo Augusto Rodrigues

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augusto
Estivemos em Iperó desde 36. Não eu, é claro, mas a minha família. Mais abaixo ou mais acima, mas na Porfírio, e com comércio. Nasci em 48 e já nasci em berço esplêndido. As coisas iam bem pro lado da Sorocabana, pro lado do comércio, lavoura e assim fluíam sem grandes mudanças. Iperó seguia o curso do pós-guerra, bem, mas monótono.
Final da década de 50, início de 60, década em que o mundo entraria em ebulição, não vou entrar no mérito da questão se pro bem ou pro mal, ou pras duas coisas.
Em Iperó, eu com mais ou menos 12 anos, estava na venda, pois era como vivemos por 36 anos. E naquela tarde, venda cheia, entraram dois moços bem vestidos, boa aparência, postaram-se junto ao balcão, do lado dos secos e molhados (tinha o lado das bebidas, gelados, o lado de secos e molhados e o lado dos armarinhos).
Bem, ali ficaram, e meu avô, que era o dono, sisudo, compenetrado, veio atendê-los. Eu grudado no meu avô, como sempre fui, fiquei junto a ele ouvindo a conversa e já imaginava o desfecho. Eles vieram vender terrenos, terrenos na praia. Eu estava doido pra que meu avô comprasse, pois ele podia. Não aceitou e o papo terminou.
Mais tarde surgiram boatos de que os terrenos eram literalmente na praia. Um dos moços se chamava José Homem de Góes. O outro, não sei, mas era primo do Zé.
Bem, os anos sessenta entraram e entraram com tudo, arrasando. Década fantástica, que marcou decididamente quem a viveu, como eu a vivi. José Homem de Góes tornou-se Zé Borba, deve ter vendido um ou outro terreno e seu primo sumiu. Ele (Zé Borba), um "cara de boa aparência", namorou e casou-se com Henory de Campos, minha primeira professora, no "jardim da infância" (Iperó já tinha isso e eu com 6 anos ia no colo dela de minha casa ao PERNOITE, com letras maiúsculas, onde comecei meus estudos). Uma pessoa maravilhosa, daquelas que você jamais esquecerá.
Professora Henory, filha de Gumercindo de Campos, pessoa respeitadíssima em Iperó, séria, de poucas palavras, tido como um dos que tinham alguma fortuna. Zé Borba "marrô o burro na sombra", assim se dizia. A vida "deixa a vida me levar", como diz a canção de Zeca Pagodinho, coube a ela transformar Zé Borba no "libertador de Iperó".
Iperó, distrito de Boituva, pagava impostos naquela cidade, recebia visita de políticos boituvenses em épocas de eleição e nada mais. Zé Borba, de "aventureiro", título que recebia dos velhos e respeitados em Iperó, junto com outros que encamparam a ideia, e depois arrastaram a população, tornou-se PROTAGONISTA da ideia, ideal de liberdade, emancipação de Iperó. Liderou, brigou, buscou em outras cidades simpatizantes à ideia.
Como uma bola de neve descendo por uma montanha, a ideia foi assumindo corpo, numa luta árdua contra Boituva, e que depois de um deslize do governador saímos vencedores.
Duas vezes prefeito de Iperó, liderança absoluta, viúvo, casou-se novamente, mudou-se pra Tatuí, viveu de uma forma simples e anos depois (ontem, 27 de junho de 2019) morreu.
Julgo eu, morreu a pessoa mais importante da história de Iperó. Líder carismático, não perfeito (gente),que teve grandes auxiliares, mas que foram "auxiliares". Ele foi "o cara". Há, com certeza, dois Iperós; Iperó pré-ZB e Iperó pós-ZB.
RENDO HOMENAGENS A ELE, AGRADEÇO OS TERRENOS QUE MEU AVÔ NÃO COMPROU, MAS QUE O TROUXERAM A IPERÓ. AGRADEÇO A SEU CAMPOS QUE DEU A MÃO DA MINHA QUERIDA PROFESSORA, QUE O FIXOU À CIDADE. E AGRADEÇO A GARRA COM QUE COMPROU A BRIGA. PEÇO QUE DEUS O AMPARE E QUE A CIDADE NOVA DE IPERÓ POSSA CONHECÊ-LO E RESPEITÁ-LO. MUITO OBRIGADO, ZÉ BORBA!!!