Mudança de nome, elevação a distrito e emancipação

Assinatura de documentos referentes à emancipação. (Arquivo José Roberto Moraga Ramos)

Em 1938, Santo Antonio passou a pertencer a Boituva e se desvinculou de Campo Largo (atual Araçoiaba da Serra). O decreto-lei federal 311 (2 de março de 1938) disciplinou a divisão territorial do Brasil e vedou que dois ou mais locais em um Estado tivessem o mesmo nome. O Conselho Nacional de Geografia, antecessor do IBGE, ficou encarregado de definir quais locais teriam que modificar os nomes. Em 1943, o decreto-lei federal 5.901 (21 de outubro) disciplinou as “revisões quinquenais” que deveriam ser feitas em cada Estado, estendendo o critério de igualdade de nomes. Assim, o objetivo era resolver os problemas da denominação de “dois locais em um Estado” e posterior “eliminação, no país, da repetição de topônimos de cidades e vilas”. Seguindo essas legislações, no fim de 1943 o nome de Santo Antonio precisou ser mudado, pois já existia outra Santo Antonio no Rio Grande do Sul (de acordo com a “Revista do IGG”). E o nome foi alterado para Iperó.

No ano seguinte, 1944, Iperó foi elevado à categoria de distrito. Nessa época já contava com o grupo escolar, o correio, o posto de saúde e a igreja dedicada a Santo Antonio. O cartório foi instalado em 1945. No início da década de 1960 fortaleceu-se a ideia da emancipação política, sendo um movimento liderado por políticos locais. Em contrapartida, lideranças de Boituva descontentes com a possível divisão dos territórios, recorreram ao então governador Adhemar de Barros para que ele vetasse a criação do novo município. Um plebiscito em 1 dezembro de 1963 decidiu pela emancipação de Iperó, que viria através da lei estadual 8.050 (dezembro de 1963). Mas Barros, realmente, vetou a criação do município.

José Homem de Góes (Zé Borba), primeiro prefeito de Iperó, contou sobre o episódio do veto: “O projeto foi para a Assembleia Legislativa, que aprovou a emancipação. Apareceu uma meia dúzia de municípios tão  pobres quanto Iperó e o Adhemar vetou, inclusive Iperó. Na segunda-feira eu estava lá brigando com ele. Ele disse: ‘Puxa… eu vetei, mas não queria vetar Iperó. Queria que vocês emancipassem. Vamos fazer o seguinte: traga o Cyro [Albuquerque, presidente da Assembleia Legislativa] aqui.’ Fui atrás do Cyro na casa dele, no Ibirapuera, e voltamos ao palácio para falar com o Adhemar novamente. Ele disse: ‘Cyro, eu vetei Iperó, mas vocês vão derrubar o veto. Controle os deputados lá. Eu vou ligar para a minha turma, para que todos votem favoráveis a derrubar o veto.’ A única deputada que votou contra foi a Conceição Costa Neves, que achou que era algum ‘rolo’ que estavam fazendo. Segundo ela, como iria emancipar um município que não tinha condições nem de ser distrito? Ela acabou com a gente. Mas chegou na hora, a turma derrubou o veto e ela ficou com uma cara louca de brava.”

O veto foi derrubado pela Assembleia Legislativa e o município de Iperó nasceu oficialmente através da lei estadual 8.092 (28 de fevereiro de 1964). Durante o processo da emancipação, Iperó perdeu grande parte das terras que pertenciam ao distrito: a divisa, que antes atravessava o rio Sorocaba, passou a ser o próprio rio. Em contrapartida, foi anexado o distrito de Bacaetava, que até então pertencia a Araçoiaba da Serra. Após as eleições de 7 de março de 1965, o município foi instalado em 21 de março, quando aconteceu a posse do prefeito, vice e vereadores da gestão 1965-1968.