Nascimento do atual perímetro urbano e a retificação do traçado da ferrovia

Imigrantes em São Paulo no fim do século XIX (Imagem da internet - Museu da Imigração)

Sobre a Iperó de hoje, mapas produzidos para a Real Fábrica de Ferro entre 1845 e 1850 mostram que havia um cemitério próximo à área do atual bairro “Vale das Orquídeas”. Possivelmente é o cemitério da “Capela da Conceição do rio abaixo”, que deve ter sido utilizado mesmo após a destruição da igreja. Não foi possível precisar quando foi desativado esse cemitério antigo e qual foi o motivo da abertura de outro no lugar onde se encontra ainda hoje. Relatos de antigos moradores informam que o cemitério atual data de 1880. Como essa área toda pertencia a Bacaetava, isso ajuda a explicar o motivo de situar-se em local afastado do atual centro de Iperó.

Esses mesmos mapas mostram diversas estradas que cortavam o território hoje pertencente ao município de Iperó. Na região de Bacaetava, no fim do século XIX, já é possível citar a presença das famílias Guazzelli, Plens, Quevedo, Holtz, Popst, Piccinato, Bertolaccini, entre outras. Igualmente já se desenvolvia o povoado da Villeta, que posteriormente passou a se chamar George Oetterer. Nessa mesma época, a área do atual perímetro urbano de Iperó (margem esquerda do rio Sorocaba) era conhecida como “Várzea”. Uma escritura de 1899 diz: “Várzea, bairro do Bacaetava, município de Campo Largo de Sorocaba”. Desde o início do século XX, apesar de não ser precisa a data, estavam nessa área Generosa Maria do Rosário, Samuel Domingues dos Santos, Porphírio José de Almeida, Gustavo Sartorelli e suas respectivas famílias. No entorno estavam também as famílias Antunes, Antunes Moreira (os Bento), Antunes Vieira (os Caetano) e Antunes Gonçalves (os Paula). Todos eles desenvolvendo uma economia de subsistência.

Rita Maria Motta de Almeida, viúva de Porphírio de Almeida, vendeu parte das suas terras à Estrada de Ferro Sorocabana, em 1926, para que o percurso de trilhos pudesse ser retificado e duplicado. Logo se iniciaram os serviços de terraplenagem para a construção da estação e das vias férreas que levariam à Alta Sorocabana e ao sul do Estado e do Brasil. Devido à retificação e duplicação do traçado, a linha passou a ir para a então “Várzea”, que devido à existência de grandes áreas de planície e do grande aterro construído para a instalação do pátio ferroviário, passou a ser chamada de “bairro da Esplanada”. A nova estação, transferida do bairro Santo Antonio (velho), em Boituva, foi construída em atuais terras iperoenses e trouxe o nome de Santo Antonio. É possível encontrar referências como “Santo Antonio Novo” ou “Santo Antonio da Sorocabana”.

Iperó está localizada estrategicamente: o ramal para Itararé passou a sair daqui e é aqui que termina a linha dupla da ferrovia vinda de São Paulo. A partir de dezembro de 1928, com a inauguração da nova estação, o povoado cresceu e passou a se movimentar. A ferrovia é um dos principais marcos históricos da cidade. Entre 1929 e 1930 foram construídas as casas da Sorocabana, existentes até hoje. A vila se desenvolveu com a chegada da ferrovia. Apesar de a economia, até aquele momento, ser baseada na agricultura, o local já contava com várias famílias de ferroviários.

No início da década de 1930 o povoado passou a ser chamado “bairro de Santo Antonio” e desapareceu o nome “bairro da Esplanada”. Já residiam em Santo Antonio nessa época outros pioneiros como Paulo Antunes Moreira, Gumercindo de Campos, Said Eid, Vital da Silva Rosa, Alfredo Sartorelli, Mário de Melo e tantos mais, juntamente com as suas famílias.

A cidade deve a sua base socioeconômica e histórico-cultural às famílias que passaram pelo território iperoense desde o século XVI até as primeiras décadas do século XX. E com a chegada da ferrovia, a criação do importante entroncamento ferroviário atraiu centenas de outras famílias que se juntaram ao núcleo urbano da atual Iperó e levaram adiante a história que, àquela altura, já contava com mais de 300 anos.

Reprodução de parte do mapa de 1850 – Real Fábrica de Ferro e entorno. É possível identificar bairros como Bacaetava, Corumbá e Cagerê. Próximo ao atual perímetro urbano aparece o “campo do cemitério”. (Arquivo Biblioteca Nacional)

 

Reprodução de parte de outro mapa da mesma época – Real Fábrica de Ferro e entorno. Estradas (linhas vermelhas) e residências (círculos amarelos) nas atuais regiões de George Oetterer, Ipanema, Cagerê, Corumbá, Bacaetava, Sapetuba, áreal central de Iperó e Bela Vista. (Arquivo Biblioteca Nacional)

 

Estação e pátio – fim de 1938. (Arquivo Tony Belviso)