“O primeiro carrinho de pipoca”

Carrinho de pipoca
(Imagem da internet - Blog Barra de Cereal)

Augusto Daniel Pavon

Nós todos temos histórias fantásticas de nossa infância/adolescência, ou não temos meus amigos Airton, Tanaka, Tiguera, Orlandinho, Udovaldo, Cica, Quinho, Liráucio, Marcos, Elisabeth, Silvia, Hugo, Zé Augusto, etc…? Todos nós fizemos, vivemos intensamente nossa querida cidade. Por que não contamos isso aqui. Caso contrario abriremos espaço para comerciais, comentários insípidos. Este é um espaço que o Hugo nos ofereceu. Não há idade. Há uma Iperó para cada idade. Nas nossas lembranças todos somos poetas.

Que eu me lembre, o primeiro “carrinho de pipoca” que circulou nas ruas de Iperó (cinema, praça da igreja, campo de futebol, ruas – principalmente a Porfírio), higiênico, o pipoqueiro usando um jaleco branco, saía ali da minha rua como quem desce em direção à venda do triângulo (aquela que primeiro foi do Alfredinho Del Vigna – quando eu vi o primeiro morto matado por uma bala; depois foi do Guerino – que deixou a beneficiadora de arroz lá embaixo, próximo à casa da banda, e veio tocar a venda que ali já existia; depois, por último, lá esteve o João do Vital – figura importante na história da cidade).

Penúltima casa da Sorocabana, já que a última era do sr. Carlos Arruda, de andar imponente, cabelos escuros puxados com auxílio de um gumex, todos pra trás, à Gardel, e bigodão também escuro, vasto, generoso, pai do Fernando e do Toninho, amigos queridos de infância e marido de Donana, paciente, esposa boa como uma verdadeira Amélia a cuidar de seu Carlos e dos meninos.

Bem, nessa pequena casa, a penúltima, era o ponto de partida do carrinho de pipoca. Ali era a casa da Irene que casou com o Ticão Gildes, da Geni que casou com o Laerçon Sartorelli, a casa da dona Maria mãe deles e do Zé (o Zé do Chico Padeiro, que além de ferroviário, deve ter sido padeiro, mas que o conheci pipoqueiro). Ele foi o dono do primeiro carrinho de pipoca de Iperó, que viria a disputar mercado com o Zé Pequeno. Ele era o pai do Zé Vieira, seu único “varão”, muito parecido com o pai, rosto de traçado forte, rude, cabelos grossos e espetados como (quase) se usa hoje, e que levava o nome de “escovinha”.

Usei muito esse corte. Zé que trabalhou, também, no único sobrado de Iperó à época, do seu Benedito e da dona Diva, onde havia uma loja muito bonita. Zé que foi titular absoluto, como centroavante, do aspirante do Sorocabana, acho que perdeu o lugar pro Ary, o Araújo (cantor- barbeiro). Ambos, como boleiros, simplesmente horríveis, mas deixemos isso pra lá, deixemos a filha dele pensar que ele jogava muito futebol. Como tantas, mais uma família muito importante da terrinha. Mais uma família que passou em nossa vida e marcou.

 

Liráucio Zovaro

Augusto Daniel, na tal casa do triângulo também morou o sr. Inácio Camargo (pai do “Dego botinha”). O sr. Inácio fazia a dança de catira na Festa de Santo Antonio.

 

Augusto Daniel Pavon

Bom, Liráucio, muito bom e por dois motivos: por você continuar lendo e continuar acrescentando. Eu me lembro do “Botinha”, me lembro que ele tinha um irmão. Não me lembro do pai e nem que eles haviam morado no triângulo. Um grande abraço. Continue lendo e escrevendo. A associação de algum fato pitoresco às pessoas faz nos lembrar delas muitos e muitos anos após. Nessa época do “Botinha” eu ainda estava estudando no “Grupo Gaspar” no primário, e morava em Iperó um tio-avô meu, tio Sinézio, cujo filho mais velho dele se chamava Mauri.

Eu me lembro de uma briga muito boa entre ele e o Botinha, ali no início da Santo Antonio, próximo à casa onde morava o sr. Gasparini. Naquela época a antiga cadeia era uma farmácia onde trabalhava uma senhora muito pra frente, penso ser a farmacêutica, de cabelos encanecidos e que já os deixava meio “lilás”, que ainda é moda entre as senhoras de agora. Seria Maria o nome dela? O fato que me fez recordar foi a briga.

 

Airton Moraga Ramos

Quando se falou de Inácio Camargo, lembro-me muito bem de festas juninas em casa de meu avô Mario de Melo, que armavam um tablado de madeira para a dança de catira. Inácio e família, Esmeralda, Dego, Baiano, Quinha e Kalu, presença marcante dessa família em nossas vidas por muitos anos. Só saudades.