Origens do município

Peabiru
Trecho do "Peabiru" encontrado no sul do Brasil. (Paulo Farina)

Peabiru

O “Peabiru” era uma extensa rede trilhas que existia desde antes do “descobrimento” do Brasil e passava pela região de Iperó e morro Araçoiaba. O caminho muito batido, com largura em torno de oito palmos, era uma ligação pré-colonial do Atlântico e do planalto com o Guairá, o Paraguai e os Andes (de Cuzco – no Peru – até São Vicente). Nos extremos e em vários trechos dessa estrada, moravam tribos guaranis. Em Iperó, diversos artefatos indígenas foram encontrados ao longo dos anos, inclusive alguns bastante raros.

Descendo de São Paulo pelo vale do Tietê e os campos do sul, o “Peabiru” se dividia em dois ramos: um à direita, para o Paraguai (atravessando o rio Paranapanema); outro à esquerda, para o Rio Grande do Sul. Os guaranis frequentavam esse caminho, utilizando as montanhas como pontos de referência. Saindo da serra de São Francisco, contornavam o Araçoiaba. Adiante, avistavam a serra de Angatuba e os morros de Guareí e Bofete. Mais à frente, a serra de Botucatu. À esquerda, atravessando o Paranapanema, entravam nas florestas onde mais tarde os jesuítas fundaram as “reduções do Guairá”. Passando pelas Sete Quedas (hoje cobertas pelo lago da Usina de Itaipu) chegava-se ao Paraguai.

Ainda no século XVI, houve vários viajantes europeus através desses caminhos. É conhecida a história de Ulrico Schmidel, que foi do Paraguai a São Vicente, passando por Santo André (a vila de João Ramalho) em 1552. Também por esse caminho, é possível que o padre Manoel da Nóbrega tenha chegado à aldeia Maniçoba. Segundo o escritor Aluísio de Almeida, a “fazenda de Braz Teves, que uma nota do Primeiro livro do Tombo de Sorocaba coloca na foz do Sarapuí com o Sorocaba [hoje Iperó], estava nesse caminho e tinha escravos carijós em quantidade, naturalmente trazidos do Guairá.” (ALMEIDA, 1939)

Os primeiros colonizadores utilizaram bastante essas trilhas, fazendo com que os sertões a oeste de São Paulo presenciassem o aparecimento de uma economia liberal que passou a alimentar a capitania independentemente das diretrizes político-econômicas de Portugal. Pequenos povoados surgiram ao longo do sertão e se tornaram importantes para o desbravamento do território e as bandeiras que se iniciaram algum tempo depois.

 

Morro Araçoiaba

Após a descoberta das jazidas de ferro no morro Araçoiaba, o governador Dom Francisco de Sousa ordenou a busca de ouro pela região e enviou mineradores aos arredores. Também enviou moradores ao Araçoiaba, dando-lhes terras para a lavoura. No período em que esteve em Ipanema, o governador despachou oficialmente a partir da vila fundada aos pés do morro, chamada de Nossa Senhora de Monte Serrat. O lugar se transformou em capital da capitania de São Vicente durante esse período de alguns meses. Sem encontrar ouro ou prata, o governador retornou a São Paulo e a vila deixou de existir. Os primeiros povoadores se dividiram e assim começaram a surgir novos núcleos habitacionais no entorno do morro, sendo que Sorocaba conquistou notoriedade a partir da segunda metade do século XVII.

A linha vermelha mostra o possível traçado do “Peabiru”. O ponto azul é a sede da Floresta Nacional de Ipanema e o ponto vermelho é o morro Araçoiaba.

 

Urna indígena descoberta pelo morador Olívio Simões Venâncio em 1979. Diversos artefatos indígenas foram descobertos em Iperó ao longo dos anos. (“O Estado de S. Paulo” – 10 de agosto de 1979)