Padre Calixto

Padre Calixto
Padre Calixto celebrando missa em 2013, auxiliado pelo diácono João e padre Carlinhos. (Arquivo Paróquia Santo Antonio)

60 anos de vida sacerdotal e 50 anos dedicados a Iperó

Padre Calixto, figura marcante e presente em momentos importantes da história de Iperó, faleceu em 14 de junho de 2015. Primeiro pároco da cidade, havia recém-completado os 60 anos de ordenação sacerdotal, sendo 50 anos de atividades pastorais dedicadas aos iperoenses. Centenas de pessoas passaram pela igreja matriz de Santo Antonio ao longo do dia 15 de junho para se despedir do sacerdote. No fim da tarde, participaram da missa de corpo presente presidida por Dom Eduardo Benes de Sales Rodrigues, então arcebispo de Sorocaba. O sepultamento ocorreu na capela do cemitério de Iperó.

Antonio Martins nasceu em Jaraguá do Sul, Santa Catarina, em 11 de novembro de 1928. Criado em uma família de tradição religiosa, foi incentivado a seguir o sacerdócio desde cedo. Filho de dona Maria de Souza Martins e do professor Antonio Manoel Martins, iniciou os estudos em 1935, na escola fundada pelo pai. Paralelamente aos estudos, trabalhou na roça para ajudar a família.

Influenciado pelos pais, foi encaminhado ao Seminário Preparatório Salvatoriano da cidade de Videira, em 1942, também em Santa Catarina. Nesse ano perdeu o pai em decorrência da tuberculose. Um ano depois mudou-se para Jundiaí, onde completou os cursos ginasial e secundário no Seminário Menor. Cursou Filosofia e Teologia e terminou a formação em São Paulo.

Em 4 de junho de 1955 foi ordenado sacerdote em Santo Amaro, através da imposição das mãos de Dom Paulo Rolim. Começou a vida pastoral na vila Arens, em Jundiaí, em 1956, onde também lecionou. Foi nessa época que ele adotou o nome “Calixto”, para diferenciá-lo como padre e professor. Como padre passou a ser chamado CALIXTO MARTINS; como professor, ANTONIO MARTINS.

Entre 1957 e 1958 celebrou missas por diversas vezes no então distrito de Iperó, ainda pertencente ao município de Boituva. Na época, residia no Seminário de Conchas e não imaginava que anos depois viria a ser o primeiro pároco da igreja dedicada a Santo Antonio. Posteriormente seguiu para Fortaleza, onde atuou na periferia da cidade e lecionou até 1961.

Problemas na visão o obrigaram a voltar para São Paulo, onde havia mais recursos médicos. Passou pelo Hospital das Clínicas em São Paulo, Instituto Penido Burnier em Campinas e seguiu para o Hilton Rocha em Belo Horizonte. Como nenhum desses locais apresentou diagnóstico positivo de recuperação, buscou tratamento na Europa. Em Barcelona, na Espanha, se submeteu a cirurgia e permaneceu por um ano e meio naquela região. De volta ao Brasil, atuou na cidade de Vassouras, no Rio de Janeiro, onde ficou por dois anos.

Em 1967, com a criação da Paróquia Santo Antonio, em Iperó, foi convidado por Dom José Melhado Campos para ser o primeiro pároco. Já conhecido no local, tomou posse após um período de turbulência em que a igreja esteve fechada devido a desentendimentos entre o padre Olavo Munhoz – pároco em Boituva e então responsável pela igreja de Iperó – e o prefeito José Homem de Góes.

Lecionou por mais de 25 anos na rede estadual de ensino e se dividiu entre a educação e a igreja. Inicialmente atuou no próprio município, na “Escola Estadual Dr. Gaspar Ricardo Júnior”, quando foi criado o ginásio estadual. Depois foi para São Paulo, onde ficava durante a semana. Voltava a Iperó nos fins de semana para as atividades da paróquia.

Formado como professor de ensino primário, concluiu também as graduações em Desenho, Pedagogia, Estudos Sociais e Educação Artística, além dos cursos de alemão, espanhol, francês, inglês e latim. Ele foi o responsável pela pesquisa que resultou na escolha da frase para o Brasão de Iperó: VITAM IMPENDERE VERO (Consagrar a vida à verdade).

Um dos grandes objetivos enquanto esteve à frente da paróquia era construir a nova matriz. E isso se concretizou após 1995, com a chegada do novo pároco, padre Inácio Kriguer, do qual se tornou um grande amigo. Sob a liderança do padre Inácio Kriguer, o novo templo foi construído e a nova matriz foi inaugurada em janeiro de 2000. Desde 1995, padre Calixto atuou como vigário paroquial, não deixando as atividades na igreja. Além disso, foi um dos fundadores da Academia de Letras de Iperó, em 2009.

Padre Calixto era um ser humano com virtudes e defeitos, assim como todos nós. Foi um amigo dos iperoenses e não morrerá na nossa memória, desde que não deixemos que isso aconteça. Que ele seja sempre lembrado nas festas, comemorações, missas e atividades relacionadas à igreja e a Iperó. O município se despede de uma parte importante da sua história, mas essa história não será esquecida.

Em homenagem à memória do sacerdote e aos serviços prestados à comunidade, a Prefeitura de Iperó decretou o luto oficial de 5 dias a partir de 15 de junho. Além disso, alterou a denominação da “Praça da Matriz” para “Praça Padre Calixto”. Em 20 de março de 2016, durante as comemorações dos 51 anos de emancipação do município, a prefeitura e a paróquia inauguraram um busto do sacerdote, que foi instalado na praça. Centenas de pessoas participaram do evento que emocionou a todos.