“Poesia sobre Iperó”

Poesia sobre Iperó
Rua Porfírio de Almeida em 1957. (Dinho Vianna - Arquivo Wilson Alves)

por Accácio Garcia – publicada no “O Jornal de Iperó” em 27 de julho de 1958

Não sei qual o mistério desta terra
Que prende a pessoa que aqui chega.
Não sei se o ar, se a água ou a paisagem;
Se o perfume das flores que aconchega.

Mais de uma vez daqui partiste, para voltar
Qual ave sem ninho, buscando um pouso
Ou uma aventura, um sonho, uma ilusão fugaz…
Quem daqui parte, um dia volta saudoso

No olhar incerto, um brilho estranho…
Nos lábios entreabertos um sorriso,
No coração talvez quem sabe, a esperança
De um dia encontrar um paraíso.

Esse talvez, quem sabe, encerra muito
Inutilmente eu busco desvendar-te
És sombra sutil, miragem, mentira verdadeira
Quem bem pouco vale o tanto desejar-te.

Quem importa que seja a flor ou seu perfume…
Que seja o ar, a água ou a paisagem…
Ou as manhãs cheias de orvalho e primavera…
Ou o tempo que se desfaz em sua voragem…