“Professor João”

Professor João
Taxidermia. (Imagem da internet - Glenameade Taxidermy)

Elisabeth Rodrigues

Sobre as comemorações de fim de ano dos alunos do Gaspar, lá no nosso querido Sorocabana, alguém tem alguma coisa na memória? Antes disso tinha a nossa super exposição de artes nas salas do Gaspar. Atrás da nossa igreja de Santo Antonio, bem dizer ao lado, acho que a casa foi demolida, morava um professor mateiro que fuçava nossas matas e embalsamava animais. Era o professor João. Eu me lembro vagamente desse professor. Era magro, mas com musculatura definida, pele clara, me parece que tinha olhos azuis e era ágil e inquieto. Talvez por gostar desse estilo aventureiro e investigador. Seria essa a sua aparência ou estou enganada? Lá na entrada do Gaspar havia uma ave de asas abertas embalsamada por ele. A confirmar, acho que ele virou destaque nessa arte, pois já vi alguma coisa na internet, mas não sei se é a mesma pessoa.

 

José Roberto Moraga Ramos

O professor João era “taxidermista”. Era também um grande artista. Quando o Sorocabana adquiriu a tela panorâmica, com a velha tela o professor João pintou a cara de um palhaço, que serviu de entrada durante o carnaval. Isso se a minha memória não está falhando. Acho que foi em 1959 ou 1960. Ele também fez uma maquete da estação, que ficou muito tempo exposta na escola, sob os olhares atentos do Gaspar Ricardo.

 

Ângelo Lourenço Filho

O professor João fez parte direta da minha educação e consequentemente da minha vida. É entre tantos um dos maiores ídolos que tive. Me ajudou demais. Como esquecer das aulas que ele nos dava, no processo de admissão ao ginásio, ao lado de lobo guará, de uma cobra sucuri, de pássaros, todos embalsamados? Do odor do cloro! Mararavilha! Inesquecível! Eu, Cica, tio Zé, Betinha, Bete Nabas, Zé Roberto… lágrimas de saudade do mestre João… meu segundo pai!!!

 

Augusto Daniel Pavon

Professor João, eu o conheci. Era uma pessoa “taqui”, elétrica, penso que seja ainda, espero!!! Eu já não mais estava no Gaspar. Fazia a primeira série no Anchieta, em Sorocaba, mais o Roque, Kiko e o Tanaka na segunda. Passei a frequentar a casa do professor. Já naquela época a casa era da igreja e ele a alugava. Eu o conhecia de “passagem”, mas tive a oportunidade de conhecê-lo pessoalmente porque deslumbrado que estava com minhas viagens diárias à Sorocaba e minhas “matadas” de aulas, precisei de seu auxílio em matemática, com aulas particulares.

Pessoa eficiente e agradável. Já escrevi das exposições de “trabalhos manuais” de todo final de ano. Eu as achava muito bonitas, eram bem elaboradas e a cidade as visitava mesmo. Nós nos sentíamos importantes. Ocupavam uma ou duas salas (uma delas é onde voto), com sacolas de barbante trançado, porta toalhas desenhados. Ano um, ano outro, eu as apresentava. Um ano meu pai dava um trato e outro minha vó. Lembro-me que uma vez a dona Henory quis e começou a cobrar dos “marmanjos” o aprendizado de tricô. Pela primeira vez eu vi uma manifestação em conjunto dos pais “machos”, com medo que se tornassem “bambis”.

Acho que meu pai chegou meio atrasado e hoje sou um assumido (e viva meu tricolor). Mas voltando ao assunto, essa exposição era muito esperada pela presença dos pais e porque havia uma disputa pelos primeiros lugares. Já escrevi também das festas de formatura no “Cine Paradiso”, digo, Sorocabana. A mais linda foi a da minha formatura. Cine cheio, cantamos, de Ary Barroso, “Na baixa do sapateiro”, claro, após o Hino Nacional, todos bem ensaiados pela professora Sumaia e, muito orgulhosos, recebemos nossos diplomas, chamados um a um, com nossos pais muito mais orgulhosos que nós. Já escrevi que foi a formatura mais linda de minha vida!

 

Tabajara Moraes

Taxidermia – A arte de dar forma à pele. O Museu de História Natural de Cornélio Procópio (PR) foi inaugurado em 2002 e funciona na antiga estação ferroviária, restaurada pela Prefeitura do município. O acervo pertence ao professor João Aparecido Galdino, fundador do museu. Seria esse o “nosso” professor João?