Sesmarias em terras iperoenses

Sesmarias iperoenses
Esquema aproximado da sesmaria deixada por Paulino Aires de Aguirre em testamento à capela de Santo Antonio - 1798. A área de "uma légua em quadra" (6,5 km x 6,5 km) engloba Bacaetava, Santo Antonio (velho) e parte de Boituva, além do atual perímetro urbano de Iperó. (Google / Hugo Augusto Rodrigues)

No Brasil, a partir de 1530 a Coroa portuguesa empenhou-se em garantir a posse do território. Para isso encontrou o modelo de divisão de terras em suas antigas tradições: as sesmarias. Essas porções de terra eram medidas em léguas (uma légua = 6,5 km) e delimitadas por “testada” (frente) e “sertão” (fundo).

Somente os nobres, os militares e os navegadores podiam solicitar as terras ao governo. Mas como nem sempre conseguiam cultivá-las, passavam para pequenos lavradores que ficaram conhecidos como “posseiros”. Mesmo não sendo permitida essa transferência, os posseiros plantavam, colhiam e seguiam não sendo os donos legais das áreas.

A primeira sesmaria de que se tem notícia na região de Sorocaba foi concedida em 1601, em terras da atual Iperó, a partir da qual as concessões se intensificaram. A confirmação disso vem através dos dados que retratam o período entre os anos 1600 e 1800.

Francisco Rodrigues, uma légua em quadra, foz do rio Sarapuí, 1601
Braz Esteves Leme, foz do rio Sarapuí, por volta de 1646
Jacinto Moreira Cabral, rio Sorocaba, no Ipanema, antes de 1660
Luís Lopes de Carvalho, Ipanema, 1663
João Antunes Maciel, ao longo do rio Sarapuí, por volta de 1690
Vigário Pedro Pinto de Godói, uma légua no Ipanema, em 1692
Fernão de Almeida Leme, rio Sorocaba, início dos anos 1700
Francisco Pais de Almeida e Maria Pimentel, rio abaixo, no Ipanema, antes de 1721
João de Oliveira Falcão, no rio Sarapuí, foz do rio Iperó, 1728
Henrique da Silva Colaço, no Sarapuí, foz do rio Iperó, 1728
João Aguiar Brandão, no Sarapuí, foz do rio Iperó, 1728
João Antunes, no Sarapuí, foz do rio Iperó, 1728
Francisco de Almeida Falcão, no Sarapuí, 1733
Ignácio de Almeida Lara, no Sarapuí, foz do rio Iperó, 1733
Jerônymo Ferraz de Moraes, no Sarapuí, foz do rio Iperó,1733
Antonio Antunes Maciel, rio Sorocaba, próximo à atual estação, depois de 1733
João Alves Gomes, no Sarapuí, foz do rio Iperó, 1736
João Vieira, rio Sarapuí, foz do rio Iperó, 1739
João de Souza Rodrigues, rio Sarapuí, foz do rio Iperó, 1739
José Alves Gomes, rio Sarapuí, foz do rio Iperó, 1739
Felipe Fogaça de Almeida, rio abaixo, 1742
Joaquim Soares, rio Sarapuí, 1742
Padre Paulo de Anhaia Leite, Sorocaba abaixo, 1743
Felipe Fogaça de Almeida, rio Iperó, terras anteriormente pertencentes a Thomé de Lara, 1747
Antonio de Almeida Falcão, Bacaetava e rio Sorocaba abaixo, próximo à estação atual, 1763
Felipe Neri Barbosa, rio Sorocaba, 1766
João de Araújo e Silva, rio Sorocaba, 1766
Julião da Silva, rio Sorocaba, 1766
João da Silva Franco, rio Iperó, 1767
José de Almeida Leme, capitão-mór  de  Sorocaba,  rio  Sarapuí,  foz  no  Sorocaba,  1780  (nas  terras abandonadas de Braz Esteves / barra Sarapuí – Sorocaba)
Paulino Aires de Aguirre, Bacaetava, antes de 1798
Igreja de Santo Antonio, Bacaetava, uma légua em quadra , 1798
José Appolinário Libório e Francisco de Almeida, Bacaetava
Manoel Fabiano Madureira, Bacaetava, início dos anos 1800
Francisca e Francisco Feliciano de Oliveira Rosa, fazenda em Bacaetava, antes de 1811

Inúmeros problemas surgiram ao longo dos quase 300 anos em que vigorou esse sistema no Brasil. Por isso, em 1822 foram extintas as concessões de sesmarias, beneficiando os posseiros que cultivavam a terra e garantindo o direito de propriedade a eles.

Foz do rio Sarapuí – região onde foram concedidas diversas sesmarias ao longo dos anos (Hugo Augusto Rodrigues)

 

Foz do rio Iperó – região onde foram concedidas diversas sesmarias ao longo dos anos (José Roberto Moraga Ramos)