“Somos a cidade”

(Imagem da internet - Matueté)

por Augusto Daniel Pavon

Hoje passei a tarde em Iperó. 2 de março de 2012. Minha mãe foi acertar as nossas coisas e fui junto. Enquanto ela trabalhava, eu pensava. Excetuando coisas que temos na cidade, às quais vemos com muita frequência, excetuando conhecidos, amigos, que já foram em número muito maior, o que nos liga, nesses tempos, a essa cidade meio feia, meio razoável?

Pensei então no que nos liga a uma árvore. Não pode ser a árvore pela árvore, mesmo sendo ela muito bonita. Deve haver algo a mais! Bem, se há, com certeza, é gente! Gente que se abrigou conosco sob a árvore, gente que conosco brincou nos seus galhos, gente que chupou conosco aquelas manguinhas “rosa”, borrando boca, roupa, mão, etc. Gente que deixou gravado em seu tronco o nome da menina amada.

Bem, pensei também que, apesar da beleza ou da feiura da árvore, o que definitivamente, por todo o sempre, nos liga, com um carinho imenso, a essa árvore, “é gente”. Pessoas são importantes, pessoas que roubam com alegria ou tristeza, momentos marcantes para todo o sempre de nossas vidas. E estabelecem uma “cumplicidade histórica” com uma árvore ou um lugar, que pode ser chamado de Iperó. A cidade agora é o local onde ainda vivem pessoas que significam para mim, onde tenho propriedades, mas isso não é importante para que eu a ame. A divisão com gente, de momentos marcantes, bons ou não, mas que geraram emoções fortes, isso sim conta.

Cada cômodo da minha casa, cada canto de meu quintal, incluindo onde está o meu umbigo, cada tijolo de suas calçadas, suas esquinas, seu campo de futebol, seu rio, seu cinema, sua igreja. Enfim, ali pisaram, falaram, riram, choraram, venceram, foram derrotados, morreram, as pessoas que mais amei na vida, todos, da família ou não, afinal éramos uma grande família. Eu sou a cidade, gente é a cidade. E concluí que Iperó jamais será feia, porque ela tem uma “cumplicidade histórica” comigo. Somos a cidade, nossa história, alegre e triste. É a nossa história, a mais importante, a mais linda e, se vivemos essa história em Iperó, nada pode ser mais lindo que ela.